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Duque de Caxias: “Mãe Baiana” promove arte, memória e diálogo em apresentação gratuita

Duque de Caxias: “Mãe Baiana” promove arte, memória e diálogo em apresentação gratuita

Além do espetáculo, o público participará de um bate-papo com a professora Helena Theodoro e o elenco

Quando as pessoas são lembradas, elas não morrem”, disse a filósofa, escritora e professora Helena Theodoro nas conversas com as autoras Thais Pontes e Renata Andrade, que escreveram a dramaturgia de “Mãe baiana”, com direção de Luiz Antônio Pilar. Depois de passar por festivais internacionais e levar pela primeira vez a atriz Dja Marthins, de 83 anos, aos palcos de Portugal e Cabo Verde, o espetáculo retorna ao Rio de Janeiro. Após passagem pelo teatro Glauce Rocha com casa lotada,“Mãe baiana”  fará uma apresentação gratuita neste sábado (27/6/26), às 19h, no Teatro Sesi Firjan de Caxias.
O projeto foi contemplado no edital Fluxos Fluminenses e tem o patrocínio do Governo Federal, Ministério da Cultura, Governo do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, através da Política Nacional Aldir Blanc.

 Neta e avó ‘salvam’ relação após luto

No palco, Dja Marthins (direita) e Luiza Loroza interpretam avó e neta que, ao viver um momento de luto em família, veem a relação entre as duas renascer. A peça joga luz sobre o papel poderoso e fundamental da mulher negra na sociedade.
Para o diretor Luiz Antônio Pilar, a concepção de “Mãe baiana” nasce da proposta do texto. Nele, estão os conflitos de gerações e de conceitos entre uma jovem mulher de seus 20 e poucos anos e sua avó, octogenária.

 Trilogia e morte do filho de Helena

O espetáculo faz parte da “Trilogia Matriarcas”, ao lado de “Mãe de santo” e “Mãe preta”, idealizado pela atriz Vilma Melo e o produtor cultural Bruno Mariozz. A peça parte da perda de um filho, fato que Helena Theodoro viveu quando seu menino de quatro anos morreu afogado. Apesar da premissa triste, as autoras preocuparam-se em não pesar o espetáculo, até porque a personagem da avó – assim como a autora – sofre, mas entende a morte. No início, a neta não compreende, mas passa a entender ao longo da história.

 Primeira doutora preta do país

Todo o pensamento da filósofa e primeira doutora preta do Brasil Helena Theodoro passa por suas experiências pessoais e afirma o princípio feminino preto com todas as suas possibilidades de existir, conservar, transformar e melhorar o mundo.

 Diretor e atriz falam da história

“Esse espetáculo é sobre relações – sobre relação de avó e neta, relação com a morte, com a cozinha, com a religião. A gente vai se transformando nos nossos, a gente vai se vendo… Escrever com a Renata Andrade foi um doce exercício de memórias, em que fomos lembrando histórias  nossas famílias”, conta Thais Pontes, que recorda as conversas com a avó durante as madrugadas na cozinha de casa.
“Um conflito que não significa necessariamente violência ou brigas, mas as diferenças de ideias de tempos que já passaram. São dois mundos diferentes que hoje estão no mesmo espaço”, analisa o diretor, Luiz Antônio Pilar, que fala também sobre a perspectiva racial da montagem. “Me ressinto com a dramaturgia nacional que quando vai falar do negro, principalmente o urbano, é sempre no conflito da violência. A questão nunca é contraditória ou está na diferença de perspectiva. É sempre no jovem negro matando ou morrendo, da família desconstruída, da falta de afeto. Em ‘Mãe baiana’ o conflito está inserido numa sociedade cotidiana e na família geracional, constituída por mulheres, convivendo no mesmo espaço”, acrescenta Pilar.
>> Ambientação  –  O cenário criado por Renata Mota e Igor Liberato é composto por ambientes de uma casa, divididos entre sala, cozinha e quintal, onde avó e neta conversam, cozinham e recordam as histórias da família. No quintal, são usados dez quilos de terra e de sementes de girassol.
O Teatro Firjan Sesi Caxias fica na
Rua Artur Neiva, 100 – 25 de Agosto – Caxias . Entrada gratuita e o ingresso pode ser retirado na plataforma Sympla. A classificação indicativa é de 12 anos.  A sessão terá acessibilidade, com os recursos de libras e audiodescrição.
Mais informações pela rede social @maebaiana.teatro.

MÃE BAIANA

Argumento: Helena Theodoro
Texto: Thaís Pontes e Renata Andrade
Direção: Luiz Antonio Pilar
Elenco: Dja Marthins e Luiza Loroza

Direção Musical: Wladimir Pinheiro

Direção de Produção: Bruno Mariozz

Diretora  Assistente: Lorena Lima

Iluminação: Anderson Ratto

Figurino: Clívia Cohen

Cenário: Renata Mota e Igor Liberato

Assessoria de Imprensa: Angélica Zago

Produção: Palavra Z Produções Culturais e VM Produções Artísticas

Informações: Angélica Zago – Jornalista
angelassessoria.contato@gmail.çom
Edição: Jota Carvalho, O Velho Escriba – jota.carvalho@yahoo.com
www.resenhaculturalecia.com.br
resenhacultural2018@gmail.com
Foto: Roberto Carneiro/Divulgação

Jota Carvalho

Jornalista, Radialista, Produtor Cultural e Cronista Esportivo.

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